domingo, 28 de agosto de 2016

Chafariz das Necessidades

Já agora observaremos neste pequeno Jardim das Necessidades, sobranceiro a Alcântara, o obelisco de mármore rosa, encimado por uma cruz de bronze, sobre esfera de espinhos, e que se eleva dum chafariz gracioso, num conjunto que se ajusta ao local, tendo por fundo a fachada da Igreja. Data de 1747 e é também obra de mandado de D. João V; as magníficas carrancas de pedra completam a singela decoração do chafariz e de seu tanque, muito século XVIII. [1]


Chafariz das Necessidades [1928]
Largo das Necessidades, Jardim Olavo Bilac

Eduardo Portugal, in AML

Localizado no Largo das Necessidades no Jardim Olavo Bilac, fronteiro à Capela de Nossa Senhora das Necessidades, integra o conjunto do Palácio das Necessidades, classificado como Imóvel de Interesse Público. Este equipamento, datado de 1747, não foi construído com o objectivo de abastecer de água a população do local, mas sim, como resultado de um voto de D. João V, que em 1747 o consagrou à Virgem. A sua autoria tem sido atribuída a Caetano Tomás de Sousa, um dos mestres que acompanhou de forma continuada a construção do conjunto do Palácio das Necessidades.

Chafariz das Necessidades [1967]
Largo das Necessidades, Jardim Olavo Bilac; Capela de Nossa Senhora das Necessidades; pormenor das carrancas e golfinhos em pedra lióz

Artur Inácio Bastos, in AML

Entre 1772 e 1791 foi objecto de transformações, possivelmente sob a orientação do arq.º Reinaldo Manuel dos Santos, que lhe conferiram a utilidade de fonte pública. O elemento central deste conjunto é um obelisco aquático, de mármore, assente num pedestal quadrangular e rematado por uma custódia de espinhos e uma cruz de bronze, evidenciando o sentido religioso da obra. Obelisco este, que se eleva do centro de um tanque quadrilobado, assente sobre três degraus, o qual recebe a água que jorra de quatro elementos escultóricos, de inspiração barroca, compostos por carrancas exteriores e por golfinhos em pedra lióz no verso, colocados por cada lóbulo do tanque, entre a borda deste e cada uma das faces do pedestal do obelisco. [cm-lisboa.pt]

Chafariz das Necessidades [s.d.]
Largo das Necessidades, Jardim Olavo Bilac
 in AML

[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 20)

 

Nota(s): Infelizmente, as imagens deste chafariz disponibilizadas pelo AML são de baixa qualidade/resolução.

sábado, 27 de agosto de 2016

Rua de S. Sebastião da Pedreira: Viaduto de Andaluz

"Ora eis-nos sob o viaduto da Avenida Fontes Pereira de Melo. É, como vês, um túnel, ou arco de passagem com certo interêsse de construção. Começado a construir em 1898 concluiu-se em 1900: desenhou--o e executou-o o condutor de obras públicas, ao serviço da Câmara Municipal, Henrique Sabino dos Santos.
Passado o Viaduto acaba S. Sebastião, e começa Andaluz." [1]

Viaduto de Andaluz [190-]
 Rua de S. Sebastião da Pedreira, Largo de Andaluz
Chaves Cruz, in AML

A Rua de S. Sebastião da Pedreira — tradicional estrada seiscentista — é um topónimo que advém do padroeiro do local, S. Sebastião.
D. João IV, no seu reinado, dedicou uma igreja no largo do mesmo nome a S. Sebastião da Pedreira, em 1652. Nesta freguesia, desde 1590 denominada de S. Sebastião da Pedreira, já existia uma pequena ermida de invocação ao santo que naquela sitio tinham construído os moradores da Rua das Arcas da freguesia de S. Nicolau, que tomaram o Santo como protector contra o mal da peste, prometendo ir lá todos os domingos com um sacerdote para celebrar missa, festejando o orago no seu dia — 20 de Janeiro — e fazendo procissão, que se realizou sempre até 1755. [2]

Viaduto de Andaluz [c. 1950]
 Rua de S. Sebastião da Pedreira; Avenida Fontes Pereira de Melo; Largo de Andaluz
Judah Benoliel, in AML

Bibliografia:
[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. XIV, p. 85)
[2] (cm-lisboa.pt/toponímia)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Santa Justa

Rua de Santa Justa. Assim se denominará a sexta, e ultima das referidas travessas, e nella se alojaráõ os mercadores de lã, e seda, que naõ tiveram bastante accomodaçaõ na Rua Augusta. [1]

A remodelação paroquial de 1770 menciona esta artéria ora como Travessa ora como Rua, já que a descrição da Freguesia de Nª Srª da Conceição e a de Santa Justa a referem como «nova traveça de S. Justa» e nas plantas dessas mesmas freguesias surge como «Rua de S. Justa». E finalmente, o Edital municipal de 12 Novembro de 1892 retomou as nomenclaturas pombalinas e passou as Travessas de Santa Justa, da Assunção, de São Nicolau e da Vitória a Ruas.
Luís Pastor de Macedo sublinha ainda que «os nomes de S. Julião, da Conceição, de S. Nicolau, da Vitória e de Santa Justa, foram dados às ruas que mais perto passavam das igrejas e ermidas que com aquela invocação, segundo o plano estabelecido, se haviam de erguer ou se estavam já construindo.» [3]

Rua de Santa Justa [c. 1906]
Ao fundo, O elevador de Santa Justa
ou do Carmoinaugurado em 10 de Julho de 1902
Fotógrafo não identificado

De acordo com Norberto Araújo existiu aqui, à entrada das Escadinhas de Santa Justa na esquina da Rua dos Fanqueiros (vd. 2.ª imagem), a «paroquial de Santa Justa, uma das primeiras de Lisboa, fundada — crê-se — em l166». Por sua vez, o Pe. João Baptista de Castro escreve, em 1870, que «Uma das tres freg«ezias primitivas, que formou, e instituiu n'esla cidade o bispo D. Gilberto, logo que o inclyto D. Afonso Henriques a conquistou aos mouros, foi a de Santa Justa: e segundo consta das nossas Historias correndo o anno de 1173, a primeira igreja, para onde foi conduzido o sagrado corpo do invicto martyr S. Vicente, assim que chegou do Promontório sacro do Algarve a este porto, foi para esta de Santa Justa, para cuja lembrança permanecia na porta principal da igreja um nicho de pedra da parte do Evangelho com a imagem do santo.»  [2]

Rua de Santa Justa [c. 1930]
Ao fundo, na Rua dos Fanqueiros
antiga Nova da Princesa o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux», casa fundada em 1936
Paulo Guedes, in AML

A igreja sofreu um incêndio aquando do Terramoto. Pensou-se em construir outra, precisamente onde se ergueu depois o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux» (casa fundada em 1936),  mas com a transição da paroquial para igreja de S. Domingos a ideia gorou-se. Ainda segundo Norberto de Araújo, o edifício «converteu-se em teatro, o «Teatro de D. Fernando›, que existiu até 1860. Só depois se realizou a urbanização do local (1863-1864).» [4]

Bibliografia:
[1] (CASTRO, João Baptista, Mappa de Portugal antigo e moderno, 1870, Vol. 3, Parte V, p. 57)
[2] (idem, p. 182
[3] (cm-lisboa.pt)
[4] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 40-41)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Palácio Caldas

Recorda-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações que «A origem do dístico "Caldas" procede dêste grande edifício, na nossa frente para nascente, cuja fachada deita para o largo entre o Chão do Loureiro e a Rua de S. Mamede, e que foi levantado no terceiro quartel do século do Terramoto por João e Luís Rodrigues Caldas, homens abastados do sítio. (...) 
   Por divagação, quero dizer-te, Dilecto, que êste sitio teve outras designações. Antes de "Caldas" se chamou algum tempo "Praça da Bela Vista", e anteriormente, um pouco antes do Terramoto, "Largo do Conde de S. Vicente", titular que por meados do século XVIII aqui perto teve prédios e casa sua. O nome histórico do sítio, e mais recuado, foi, porém, o de "Terreirinho do Ximenes". É que no local, onde depois do Terramoto assentou o prédio Caldas, possuía no comêço do século XVII, casas, chãos, e certamente moradia, uma opulenta família Ximenes, que de Castela, em 1476, tinha vindo para Portugal. Foi depois de 1755 que um Rodrigo Caetano Ximenes Pereira Coutinho Barriga e Veiga deu de aforamento ao citado João Rodrigues Caldas os terrenos onde êste edificou seu palácio.
   A designação "Largo do Caldas" data, pelo menos, de 1874e dura há século e meio. Não deve ter perdurado menos a denominação antiga de Terreirinho (ou Terreiro) do Ximenes.» [1]

Palácio Caldas [c. 1940]
Antigo Largo do Caldas; Largo Adelino Amaro da Costa, 2-7;
Rua de São Mamede; Rua do Chão do Loureiro, 8-18
Eduardo Portugal, in AML

Traduzindo uma arquitectura residencial, pombalina, este palácio urbano pós-terramoto, foi edificado por iniciativa dos irmãos Rodrigues Caldas, entre 1765 e 1775, no local onde anteriormente ao terramoto se erguera o Palácio dos Ximenes. Apresenta planta em L irregular, articulada em redor de pátio rectangular, com capela no seu extremo NE, edificada em 1766 sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, característica do final do rococó. De concepção arquitectónica bastante simples e despojada, o edifício surge estruturado em quatro pisos e três frentes, com alçados animados pela abertura de vãos de tratamento simples, a ritmo regular, articulados, ao nível do último piso, com varanda corrida contígua a toda a frente do imóvel. No interior merece destaque o conjunto azulejar de alguma diversidade.

Palácio Caldas [1968]
Antigo Largo do Caldas; Largo Adelino Amaro da Costa, 2-7; Rua de São Mamede;
Rua do Chão do Loureiro, 8-18
Armando Serôdio, in AML

Em 22 de Dezembro de 1980, uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática foi aprovada na Câmara, por maioria, no sentido de serem atribuídos os nomes de Adelino Amaro da Costa e o de Francisco Sá Carneiro a artérias de Lisboa. A Comissão de Toponímia em 13 de Janeiro de 1981 sugeriu para o efeito as duas alamedas interiores do Campo Grande.
E foi o então Vereador da Cultura, Dr. João Martins Vieira que designou o antigo Largo do Caldas, onde se encontra a sede do CDS/PP para se homenagear Adelino Amaro da Costa (Lisboa/18/04/1943- 04-12-1980/Camarate), licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Técnica de Lisboa que com Freitas do Amaral foi um dos fundadores do C.D.S.- Centro Democrático Social.
Foi presidente do grupo parlamentar do CDS, Ministro de Defesa no Governo presidido por Sá Carneiro e faleceu vítima do desastre de aviação, quando ambos se deslocavam ao Porto para um comício de campanha eleitoral. [2]

 Bibliografia:
[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,, vol. II, pp. 12-13)
[2] (cm-lisboa.pt)

domingo, 21 de agosto de 2016

Convento do Sacramento

Estamos na Rua. do Sacramento. Antecedido por um pátio, defendido da rua por uma cortina de grades, aqui tens um antigo casarão conventual, edifício dependente do Ministério da Guerra, que desde 1916 o destinou a Depósito de Material de Aquartelamento do Exército. [1]


 Perto de Alcântara, à Rua do Sacramento, encontra-se um edifício que foi convento de religiosas Dominicanas, o quarto mais antigo fundado pela Ordem. Por escritura do início do séc. XVll (1605), foram seus benfeitores D. Luís de Portugal e sua mulher, D. Joana de Castro e MendonçaCondes de Vimioso, que viriam a recolher-se à vida conventual na casa que a Ordem primeiramente possuiu em S Vicente de Fora. Foi portanto aí que em 1607, a Condessa de Vimioso e outras 6 freiras se congregaram: 4 do convento de Santa Catarina de Évora; 1 da Anunciada; 1 do convento de Jesus de Aveiro; tendo como prioresa Madre lsabel de Jesus.
Em 1612, D. Aleixo de Meneses, Primaz da Índia e de Espanha, lançou a primeira pedra do novo convento do Sacramento, mudando-se as freiras, 4 anos depois, para Alcântara. (...) Concluída a igreja em 1620, foi refeita em 1636 com arquitectura mais agradável, sob a direcção do vigário do Convento (e do Conselho Geral do Santo Ofício) Frei João de Vasconcelos.

Convento do Sacramento  (Convento do Santíssimo Sacramento/Convento dos Vimiosos) [c- 1940]
Rua do Sacramento, 51
Eduardo Portugal, in AML

Em 1614, outro casal trilhou o mesmo rumo conventual: neste Mosteiro professou  D. Madalena de Vilhena, sob o nome de Soror Madalena das Chagas, a mulher de D. João de Portugal (o Romeiro do drama «Frei Luiz de Sousa» de Almeida Garrett); D. Madalena de Vilhena, supondo seu marido morto em Alcácer Quibir, casara com D. Manuel de Sousa Coutinho, que foi depois o erudito Frei Luiz de Sousa, famoso dominicano. (ARAÚJO, 1939) Com o terramoto de 1755 sofreu o Convento do Sacramento estragos de pouca monta, segundo parace, em virtude dos «gigantes» que lhe sustentavam as paredes.
Após a extinção das Ordens Religiosas e a implantação da República, aqui se instalou a Academia das Ciências de Portugal, fundada por Teófilo Braga, passando depois para os militares, como Departamento Geral de Material de Aquartelamento.

Convento do Sacramento  (Convento do Santíssimo Sacramento/Convento dos Vimiosos) [1968]
Rua do Sacramento, 51
Arnaldo Madureira, in AML

Bibliografia:

[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 13)

[2] (CAEIRO, Baltazar Mexia de Matos, Os conventos de Lisboa, p. 116)

sábado, 20 de agosto de 2016

Mercado Geral de Gados

As acomodações deste mercado podem recolher 1000 bois, 2000 ovelhas, carneiros e cabras, 500 porcos e 200 cavalos.


Em 1888, é fundadoentre as actuais avenidas Cinco de Outubro e da Repúblicao Mercado Geral de Gados. Foi construído por uma sociedade particular de José Maria Pereira de Lima e António Vitor Reis e Sousa, em acordo com a Câmara Municipal de Lisboa. O risco foi do arq.º Parente da Silva, e sofreu modificado pelo arq.º Machado Faria e Melo. Depois de desactivado em 1952, foi, em 1962, implantado neste local o recinto da  Feira Popular.

 Em 1888, a Câmara de Lisboa rectificou a concessão, que anteriormente fizera, para a construção e exploração de um mercado permanente de gado, constituindo-se a Companhia do Mercado Geral de Gados, para a venda e exposição de toda a qualidade de animais úteis à vida doméstica,devendo os introdutores de gado pagar determinadas quotas, por cabeça, e tendo-se estabelecido que todo o o gado destinado ao consumo da cidade recebesse naquele mercado o primeiro exame de sanidade.

Mercado Geral de Gados [c. 1950]
O Mercado Geral de Gados foi instalado nos terrenos existentes entre o Campo Pequeno e o Campo Grande [entre as avenidas Cinco de Outubro e da República], numa área de 200 metros de largura por 100 metros de comprimento

Fotógrafo não identificado

 O Mercado Geral de Gados foi instalado nos terrenos existentes entre o Campo Pequeno e o Campo Grande [entre as avenidas Cinco de Outubro e da República], numa área de 200 metros de largura por 100 metros de comprimento. Na frente principal, três largos portões de ferro, formados por pilares de cantaria, ligam para os lados com duas cortinas de grades, no limite das quais há outros dois portões. Seguem-se de cada lado dois pavilhões, de dois pavimentos, destinados a secretarias, e a eles se ligam outras duas construções só de pavimento térreo para abrigo do gado caprino, lanígero e ovídeo. Nos ângulos desta frente erguem-se dois frontispícios semelhantes à frontaria dos pavilhões.

Mercado Geral de Gados [Inicio séc XX]
Avenida da República [antiga Ressano Garcia]
O edifício onde se concluem as transacções, denominado Bolsa, está no meio do Mercado, constando de dois octógonos, circunscrito e inscrito paralelamente, e coroado por grande cúpula com seu lanternim

Paulo Guedes, in AML

 Dos lados norte e sul são as abegoarias do gado bovino. Do lado ocidental fecham o mercado construções semelhantes à da frente principal, tendo ao centro uma grande cavalariça. O edifício onde se concluem as transacções, denominado Bolsa, está no meio do Mercado, constando de dois octógonos, circunscrito e inscrito paralelamente, e coroado por grande cúpula com seu lanternim; o octógono exterior tem um raio de 20 metros e o octógono interior um raio de 14 metros; a altura máxima desta construção é de 31 metros.

Mercado Geral de Gados [1944]
Avenida Cinco de Outubro; Ramal da linha de cintura para o Mercado Geral de Gados em Entrecampos;ao fundo, a actual Av. das Forças Armadas

Eduardo Portugal, in AML

 O espaço de 6 metros, que há entre os dois octógonos, é dividido em gabinetes para uso dos corretores ou negociantes de gado. Há ainda telheiros para exposições e uma enfermaria para tratamento dos animais que ali adoeçam.As acomodações deste mercado podem recolher 1000 bois, 2000 ovelhas, carneiros e cabras, 500 porcos e 200 cavalos. Pelo desenvolvimento que têm tomado os mercados de Lisboa se pode também aquilatar o aumento da sua população nos últimos cem anos. [1]

Mercado Geral de Gados [ant. 1952]
Gado pastando no recinto do Mercado Geral de Gados; ao fundo, a Avenida Cinco de Outubro

Judah Benoliel, in AML

[1](MESQUITA, Alfredo, Lisboa: Perspectivas & Realidades, p. 583, 1903)

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Palacete da Avenida Fontes Pereira de Melo, 28

Esta Avenida Fontes Pereira de Melojá o tens notadoostenta propriedades de certo sentido aristocrático de arquitectura; lembro-te o palacete do capitalista José Maria Marques, n.° 28, arquitecto Norte Júnior (Prémio Valmor de 1925 1914) (...) [1]


Este palacetena Avenida Fontes Pereira de Melo, formando gaveto com a Rua Andrade Corvo foi construído no início do século XX, para residência de José Maria Marques, com projecto do arqº Norte Júnior. Congrega elementos barrocos, neo-românicos, neo-árabes e Arte Nova num estilo ecléctico característico da época. Congrega elementos barrocos, neo-românicos, neo-árabes e Arte Nova num estilo ecléctico característico da época. A escolha deste prémio impôs-se pela «originalidade e disposição engenhosa da fachada principal e pela exuberância da decoração».

Palacete da Avenida Fontes Pereira de Melo, 28, gaveto com a Rua Andrade Corvo [c. 1914]
Paulo Guedes, in AML

No ano de 1911 José Maria Moreira Marques, capitalista com negócios no Brasil, apresentou à Câmara de Lisboa um pedido para a construção de uma casa no seu terreno na Avenida Fontes Pereira de Melo, apresentando um projecto assinado pelo arq.º Manuel Joaquim Norte Júnior. O conjunto, que incluía sala de ginástica na cave, casa para capoeira e casa de tanques, foi construído entre 1911 e 1915, data da última licença para a edificação da marquise de ferro do jardim. O projecto foi vencedor do Prémio Valmor no ano de 1914 (erradamente esculpido na fachada com a data 1915).
Não sendo o maior palacete projectado por Norte Júnior, é seguramente o que apresenta o programa decorativo mais exuberante, embora a profusão de motivos ornamentais em nada altere o equilíbrio do projecto. A inserção num gaveto rectangular, no qual a casa ocupa apenas metade da área, denota a perícia do arquitecto como projectista, apresentando uma planimetria distinta das que nos anos imediatamente anteriores criara para edifícios congéneres nas Avenidas Novas.

Palacete da Avenida Fontes Pereira de Melo, 28, gaveto com a Rua Andrade Corvo [1967]
Actual Sede do Metropolitano de Lisboa

Augusto de Jesus Fernandes, in AML

No interior, os espaços dispõem-se de forma simétrica em torno da escada e do vestíbulo, elementos centrais da casa que conferem monumentalidade ao edifício. Inclui um sumptuoso programa decorativo, com madeiras exóticas, estuques pintados e dourados, frescos, e um elevador, à época um elemento funcional de luxo. 
 Em 1950 a Câmara de Lisboa comprou aos herdeiros de José Marques o edifício, e quatro anos depois alugava o espaço ao Metropolitano de Lisboa, que o ocupa até hoje. [2]

Palacete da Avenida Fontes Pereira de Melo, 28, gaveto com a Rua Andrade Corvo [1971]
Sede do Metropolitano de Lisboa

Fotógrafo não identificado, in AML

 

[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 81)

[2]](DGPC)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Palácio de Alvor-Pombal

Janelas Verdes — por quê? Talvez pelas varandas do que foi o seiscentista Palácio Alvor, e, de há meio século, é o Museu Nacional de Arte Antiga. E lá estão, ainda, as janelas verdes, de varões grossos, numa fileira simétrica corrida, dominando os portais armoriados. [1]


O Palácio das Janelas Verdes foi edificado em 1690 pelo Conde de Alvor, D. Francisco de Távora, que foi vice-rei da Índia. Com o pretexto da conspiração contra D. José, o palácio foi confiscado aos Távoras herdeiros e, pouco depois. foi adquirido por Matias Aires Ramos da Silva, naturalista e letrado, que foi provedor da Casa da Moeda. Em 1760 passou às mãos de Paulo de Carvalho, irmão do Marquês de Pombal; em 1770 o grande Ministro herdou-o do irmão. O Palácio na transposição da posse dos Alvores sofreu modificações na sua fisionomia seiscentista, com restauros e sobreposições ostensivas de nobreza, e fazendo-o cair no rococó, sem todavia o fazer amesquinhar até à trivialidade. (Neste Palácio morreu em 26 de Janeiro de 1873 a Imperatriz [do Brasil] Maria Amélia de Beauharnais, segunda mulher de D. Pedro IV [1.° imperador daquele império].
O Museu Nacional de Arte Antiga, denominação que data de 1911, foi inaugurado neste Palácio em 12 de Junho[?] de 1884, com a presença do Rei D. Luiz (...).[2]

Palácio de Alvor-Pombal [1858]
Rua das Janelas Verdes; à esquerda, o Chafariz das Janelas Verdes
no Largo Doutor José de Figueiredo

Amédée de Lemaire-Ternante, in CPF


[1] (ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 88)

[2] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, pp. 64-65)

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