domingo, 25 de junho de 2017

Loja da América: Rua Áurea, 206-208

A Loja da América  — noticiava o periódico A Capital: diário republicano da noite corria o ano de 1916  — é a casa que melhor se especialisou em artigos de rouparia. Occupa os nº" 206-208 da Rua do Ouro e os nº" 92, 94 e 96 da Rua da Assumpção. Os seus enxovais adquiriram, de há muito, a mais justa fama. São, realmente, verdadeiros  modelos de bom gosto, e impõem-se pelo seu acabamento primoroso e pela sua inexcedível qualidade. Os seus modelos de Paris, Berlim e Londres são sempre dos melhores. Os seus artigos de camisaria são finíssimos e de uma inigualavel perfeição.  

Loja da América [c. 1908]
Rua Áurea, 206-208 tornejando para a Rua da Assunção
Este espaço  é actualmente  ocupado pela Zeva (pronto-a-vestir cujo nome já foi New York)
Ao fundo, na esquina com a Rua dos Sapateiros, vê-se o Café Montanha
Joshua Benoliel, in AML

Bibliografia
(A Capital: diário republicano da noite, 1916)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Avenida Luís Bivar, 2-6

O Prémio Valmor em 1916 foi para o edifício de habitação na Rua Tomás Ribeiro, 58-60, mandado construir por D. Rita Isabel Ferreira de Matos e Dias, risco do arqº Miguel Nogueira Júnior.


Prédio de gaveto, com planta em forma de “L”, projecto da autoria de Miguel José Nogueira Júnior [vd. 2ª foto] datado de 1916 e agraciado com o Prémio Valmor do mesmo ano. O edifício apresenta quatro pisos em gaveto e o alçado principal orientado parcialmente a Oeste e a Sul. Implantado de forma a perfazer um dos extremos do quarteirão em que se integra, a fachada apresenta o ângulo de gaveto boleado, encimada  por remate em platibanda curva em reboco pintado e com frontão ornado por elementos vegetalistas (volutas de acanto) e com piso térreo com embasamento de cantaria de aparelho rusticado. Os vãos apresentam-se em ritmo regular, vãos em verga recta destacada por emolduramento. A Oeste a presença da porta principal está ladeada por pilastras e rematada por alpendre que se articula com varanda em cantaria da janela de sacada do primeiro piso. O paramento orientado a Oeste é animado por fenestrações de peito com guarda metálica, excepto no primeiro piso, que possui janelas de sacada com varanda comum. No nível do gaveto identifica-se uma estrutura tripartida, com piso térreo comercial, e os pisos superiores vazados por janelas de sacada com varandas assentes em mísulas e protegidas com guardas em ferro fundido, que acompanham a forma boleada e acentuam a mesma. Superiormente o edifício é rematado por platibanda.

Rua Tomás Ribeiro, 58-60 tornejando para Avenida Luís Bivar, 2-6  [c. 1952]
«Prémio Valmor em 1916»
Gustavo de Matos Sequeira, in AML

Luís Frederico de Bívar Gomes da Costa (1827-1904), filiado no Partido Regenerador, começou por ser delegado do Ministério Público (1853) e, sucessivamente, juiz de Direito (1862), juiz do Tribunal da Relação de Lisboa (1882), do qual veio a ser presidente em 1894, e juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (1900). Foi eleito Deputado em 1865 e presidente da Câmara dos Deputados entre 1882 e 1885. Toma assento na Câmara dos Dignos Pares em 1886. É nomeado Par do Reino com carácter vitalício em 1890. Ao longo da sua carreira política integrou mais de três dezenas de comissões parlamentares e, em 1902, foi designado Conselheiro de Estado.  [cm-lisboa.pt]

Rua Tomás Ribeiro, 58-60 tornejando para Avenida Luís Bivar, 2-6  [c. 1952]
«Prémio Valmor em 1916»

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Mergulhão dos Cordões d'Ouro

Os ourives, ainda há cinquenta anos coravam, em fogareiros apropriados, à porta dos seus estabelecimentos, o oiro de que se serviam para os seus trabalhos. (in A capital: diário republicano da noite, 29 de Junho de 1916) 


Ourivesaria e relojoaria Mergulhão [Início séc. XX, ant. 1915]
Rua de S. Paulo, 162-162B
Alberto Carlos Lima, in AML

A antiga ourivesaria e relojoaria Mergulhão, do célebre ourives Manoel Carlos Mergulhão — o «Mergulhão dos Cordões d'Ouro» — depois deste ter trespassado a loja sita na Rua Áurea, 53-55 [vd. 2ª foto] à «Chapelaria High-Life» no início do século XX, levou o seu negócio para a Rua de S, Paulo, 162  [vd. 1ªoto]

Na 1ª  foto, no letreiro do lado esquerdo da loja, pode ler-se este curioso texto:
           COMPRA-SE
          POR ALTO PREÇO
       OURO, PRATA, PLATINA, JOIAS,
       MOEDAS, ANTIGUIDADES,
       CAUTELAS DOS MONTE-PIOS,
     GALÕES E DENTADURAS VELHAS

Ourivesaria e relojoaria Mergulhão [c. 1910]
Rua Áurea, 53-55;  no local encontra.se hoje uma dependência dda  C.G.D.
Joshua Benoliel, in AML

Anúncio da Ourivesaria e relojoaria Mergulhão, [s.d.]

domingo, 18 de junho de 2017

Bairro das Janelas Verdes

Um momento caminharam em silêncio. Depois, na Rua das Janelas Verdes, o Alencar quis refrescar. Entraram numa pequena venda, onde a mancha amarela de um candeeiro de petróleo destacava numa penumbra de subterrâneo, alumiando o zinco húmido do balcão, garrafas nas prateleiras, e o vulto triste da patroa com um lenço amarrado nos queixos. (QUEIROZ,  Eça de, Os Maias, 1888)


Falar da Rua das Janelas Verdes é também falar da Lisboa Queirosiana — e da casa dos Maias: «A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete

Rua do Sacramento, a Alcântara Rua Presidente Arriaga [ant. 1901]
Quartel da Guarda Municipal de Lisboa depois Guarda Republicana: Carro do «Salazar»
Fotógrafo não identificado, in AML

Campos Matos, em Imagens do Portugal Queirosiano, Lisboa, 1876, livro de reconhecida importância sobre o tema, assinala: «Quanto ao Ramalhete, sabemos que fica às Janelas Verdes, cerca da Rua de S. Francisco de Paula [hoje Rua Presidente Arriaga], embora se atribua ao solar do conde de Sabugosa, em Santo Amaro, a sua fonte de inspiração».

Rua das Janelas Verdes [entre 1901 e 1908]
Cruzamento das ruas de São João da Mata e de Santos-O-Velho
Machado & Souza, in AML

Aqui quási defronte da Igreja de S. Francisco de Paula — relembra Norberto de Araújo — se ergue o conjunto de edifícios, onde estão desde 1919 instalados uma companhia da Guarda Republicana e o Comando do Batalhão. (...) Depois de 1834 — em que esta casa deixou de ser o Convento de S. João de Deus — instalaram-se nela o Quartel de Marinha, e mais tarde o Tribunal da Côrte.

Visita do Rei Dom Manuel II, a guarda de honra formada na Rua das Janelas Verdes Rua Presidente Arriaga [1908]
Joshua Benoliel, in AML

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 59, 1939)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Café Montanha

Ora aqui temos à vista esse Montanha — com um ar decente, pacato, de Café do termo do século XIX. É um resto tranqüilo do Montanha de que falavam os nossos avós, e que nem sempre foi discreto como ora é.
[...] com entradas pela Rua dos Sapateiros e da Assunção — tornado café Restaurante, hoje sonâmbulo —, sucedeu, com intervalo de trinta e sete anos (será isto «suceder»?) ao tal Café das Sete Portas, que datava do princípio de oitocentos e fechou em 1827. Em 1864 Manuel Nunez Ribeiro Montanha — abriu o Montanha, e acabou por comprar o prédio. [1]

Café Montanha [c. 1910]
Gaveto da Rua dos Sapateiros (Rua do Arco (do) Bandeira)
com a Rua da Assunção

Joshua Benoliel, in AML

O tal Café das Sete Portas referido por Norberto de Araújo, ou Marrare das Sete Portas, datava dos primórdios do século XVIII, e era um dos quatro cafés que, então, o napolitano António Marrare (proprietário do afamado Marrare do Polimento, ao Chiado) fundou em Lisboa. Vigiado pela Policia nos primeiros anos da sua existência, conhecidas que eram as ideias francófilas dos seus fregueses, fora, mais tarde, centro preferido pelos partidários do vintismo. Nos meados do século, já na posse de Manuel António Peres, o Manuel Espanhol, o Marrare das Sete Portas era o primeiro café da Baixa.
Luís Augusto Palmeírim, outro memorialista da Lisboa romântica, nos Excêntricos do meu tempo, recorda-nos a sua existência como botequim de fama: «jogava-se o bilhar entre artistas, avultavam as apostas e tomavam o seu café, antes do teatro, o Epifânio e o Tasso. À noite ceiava-se a valer, e o Domingos, o gerente da casa, abria crédito aos janotas que lho pediam e que nunca mais pagavam».
Já centenário, o Marrare das Sete Portas veio até aos nossos dias, passando de proprietário em proprietário. Em 1868, quando da morte do Manuel Espanhol, o Diário de Noticias refere-se-lhe deste modo: «Forum e tribuna, escritório e praça de comércio, palco onde se representaram dramas sentimentais e comédias burlescas, o decano dos botequins da Baixa, sucessor das glórias do Nicola e de outros respeitáveis ascendentes». [2]

Bibliografia
[1]  (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 54
[2] (ANDRADE, Ferreira de, Os Cafés Românticos de Lisboa)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Monumento a Luiz de Camões

Pela Carta de Lei de 10 Agosto de 1845 foi o governo autorizado a expropriar por utilidade publica o respectivo terreno, que estava compreendido entre o Largo das Duas Igrejas, Rua do Loreto, Travessa dos Gatos [que se foi com os Casebres do Loreto] e Rua da Horta Seca, e a entregá-lo à Câmara Municipal, para nele se formar uma grande praça, que se pensou aproveitar para a construção do futuro Teatro Nacional.

Por ocasião do 3º centenário de Camões (1880) resolveu-se colocar no Largo do Loreto a estátua do Épico, dando ao largo, devidamente disposto, nivelado e gradeado, o nome de Praça Luiz de Camões.


Pensando-se então em erguer uma estátua em honra do imortal autor de Os Lusíadas, para a qual se indicara o Passeio Público, foi decidido, pela respectiva Comissão, presidida pelo duque de Saldanha, solicitar, para o efeito, a nova praça em construção, e que à mesma fosse dado o nome do grande épico. Procedeu-se à colocação da primeira pedra, em 29 de Junho de 1862, com a presença de Sua Majestade. 

Monumento a Luiz de Camões [c. 1870]
Observe-se o gradeamento em volta do monumento e que tanta celeuma causou à época
Praça de Luís de Camões
Francesco Rocchini, in BNP

Não cessavam os comentários, enquanto durou a construção da praça, como este que aqui damos:
«Parece que um mau fado persegue a Praça de Luís de Camões. Que gradaria que hoje ali começaram a colocar! Não se pode imaginar coisa de mais mau gosto. São uns grossos varões de ferro atravessados e com flores amarelas.
«Dir-se-ia que o gradeamento fora feito para uma jaula de animais ferozes, tão possante é.
«Na verdade, custa a crer como a Câmara não concebeu que aquele gradeamento é impróprio da praça. O desenho não é elegante; porém, se ao menos fosse de mais ligeira fábrica, se não tivesse tão grossos varões, poderia passar com menos reparo; como fizeram o tal gradeamento, era objecto das censuras de toda a gente e censuras justificadas, pois que ali fica um padrão do mau gosto no governo da cidade.» (*)

Praça Luís de Camões  [c. 1900]
Assistência à passagem do cortejo das festas
de homenagem a Luís de Camões
Fotógrafo não identificado, in AML
Monumento a Luiz de Camões [Início séc. XX]
 Estátuas em pedra lioz
Praça Luís de Camões
Fotógrafo não identificado, in AML






















A inauguração da estátua, no meio de delirante entusiasmo, teve lugar em 9 de Outubro de 1867, muito antes da data em que se completou o tricentenário do passamento do cantor das nossas glórias (**). O custo da obra, paga ao escultor Vítor Bastos, foi de trinta e oito contos. A figura principal é de bronze, tem quatro metros de altura e está assente num pedestal octogonal de sete metros e quarenta e oito centímetros de altura, rodeado de oito estátuas em pedra lioz, de dois metros e quarenta, representando Fernão Lopes, Pedro Nunes, Gomes Eannes de Azurara, João de Barros, Fernão Lopes de Castanheda, Vasco Mouzinho de Quevedo, Jerónimo Corte Real e Francisco Sá de Miranda.

 A Praça de Luís de Camões, na tarde da inauguração da estátua do Poeta [1867]
Na janela do centro do 1.° andar, do prédio do lado Oeste, que foi de Carvalho Monteiro
armou-se a tribuna real 
in Archivo Pitoresco. Vol. X, 1867

Em 10 de Junho de 1880, uma grande multidão,entusiasmada, formada em cortejo, desfilou perante o monumento, irmanando-se com a massa compacta de portugueses, que enchia os passeios do Chiado, na ânsia de vitoriar a memória do poeta.
Por ocasião do Ultimatum inglês, quando o monumento foi coberto de crepes pelos estudantes universitários, ainda o rodeava o gradeamento que a crítica alfacinha não perdoou.

(*) Jornal do Comércio, de 30 de Setembro de 1862
(**) Nessa noite, por iniciativa do rei D. Luís, efectuou-se um «baile campestre» nos jardins do palácio de Belém (A Dança no Estrangeiro e em Portugal, de Eduardo de Noronha, pág. 333)

Bibliografia
(COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, pp. 68-70, 1987)

domingo, 11 de junho de 2017

Instituto Nacional de Estatística

Construído em 1932, segundo projecto do arq.º Pardal Monteiro. Destaca-se o seu salão nobre decorado com friso de Henrique Franco e o vitral da escadaria principal de Abel Manta. Encontram-se ainda, na parte superior da fachada principal do edifício, dois baixos-relevos de Leopoldo de Almeida.

Edifício-sede do Instituto Nacional de Estatística [1934]
Avenida de António José de Almeida; Avenida do México (esq.)
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

O imóvel continua a manter a sua primitiva função — sede do Instituto Nacional de Estatística. São atribuições do INE a notação, apuramento, coordenação e difusão de dados estatísticos de interesse geral e comum. O edifício-sede do Instituto Nacional de Estatística (incluindo muros e logradouro) está Em Vias de Classificação.

Edifício-sede do Instituto Nacional de Estatística [post. 1935]
Avenida de António José de Almeida; Avenida do México (esq.)
Ferreira da Cunha , in AML

O topónimo desta artéria, atribuído  pelo Edital de 18 de Julho de 1933 da C.M.L, homenageia António José de Almeida. Na Praça onde convergem a Av. Miguel Bombarda e a Av. António José de Almeida foi edificado o monumento ao antigo Presidente da República, segundo projecto do arq. Pardal Monteiro e esculpido por Leopoldo de Almeida, inaugurado a 31 de Dezembro de 1937, por iniciativa do Governo. De composição simples, é constituído pela figura do médico, escritor, jornalista e político, António José de Almeida, de pé, esculpida em bronze, sobressaindo do monumento a figura da República, esculpida em pedra. É junto dele que no dia 5 de Outubro se costuma prestar homenagem aos heróis da implantação da República. A face principal do monumento apresenta a seguinte legenda: "António José de Almeida, ardente tribuno, patriota perfeito, cidadão exemplar - Presidente da República 19919-1923. - 17-7-1866. - 31-10-1929"
Por sua vez, a face posterior do mesmo exibe legendas com frases históricas do Dr. António José de Almeida, como propagandista republicano (1906), como Ministro do Interior do Governo Provisório (1910) e como Presidente da República (1921). [cm-lisboa.pt]

Monumento a António José de Almeida [post. 1934]
Avenida de António José de Almeida; Avenida do México (esq.)

Em último plano o Instituto Superior Técnico
António Passaporte , in AML

sábado, 10 de junho de 2017

Avenida da Ribeira das Naus

A historia da Ribeira das Naus — diz mestre Castilho — se alguém a podesse escrever completa, seria um dos capítulos mais interessantes da nossa chronica nacional, com as apreciações do computo das despezas feitas, o desenho da physlonomia da arte náutica ao longo dos successivos reinados, a chronica fidedigna da valente Marinha militar ponugueza, a nomenclatura dos navios ali construídos, e a biographia dos nossos habilissimos mestres. [Castilho, 1893]


Lisboa estende-se ao longo do Rio Tejo, concentrando as múltiplas actividades ligadas à navegação, à pesca, ao comércio das mais diversas mercadorias.
A zona, designada de Ribeira das Naus, organizava-se, ontem como hoje, em torno do Cais do Sodré, e incluía também os estaleiros de uma importante construção naval que marcou durante vários séculos a economia portuguesa.

Vista aérea da Avenida da Ribeira  das Naus (poente) [1952]
Praça do Comércio; Cais do Sodré; Avenida 24 de Julho; em baixo à direita, a Estação Fluvial Sul e Sueste
Autor desconhecido

Conquanto já desde longo tempo houvesse nesta zona marinha da cidade uma fama construtiva de embarcações, foi só no reinado de D. Manuel, por 1501, que essa actividade.de se acentuou, e começou-se a chamar ao local Ribeira das Naus, correspondendo cm situação e em funções ao actual Arsenal da Marinha, como passou a denominar-se desde 1774. O Decreto n.º 29.595, de 13 de Maio de 1939, extinguiu a Direcção das Construções Navais, e com ela o Arsenal da Marinha, que se encerrou nessa data.

Doca da Ribeira  das Naus (actual Praça Europa) [c. 1918]
Lançamento à água da navio "Mandovi", construído no Arsenal da Marinha, navegou como canhoneira da Classe Beira desde 1918 a 1056.
Autor desconhecido

Seguida, mas vagarosamente, começaram a ser demolidos os barracões das instalações fabris e a terraplanou-se o terreno para a construção duma avenida marginal entre a Praça do Duque da Terceira e o canto sudoeste da Praça do Comércio, ao sul do torreão do Ministério da Guerra.

(Avenida) Ribeira  das Naus [c. 1939]
À direita e ao fundo vêem-se os edifícios fabris do Arsenal da Marinha antes das demolições
Eduardo Portugal, in AML

A avenida marginal referida, que foi construída com carácter provisório, recebeu o nome de Avenida da Ribeira das Naus [1], e foi aberta ao público em 9 de Agosto de 1948.
A sua largura é de 12m na faixa de rodagem, calçada com paralelepípedos de granito e alcatroada, e de 1,5m nos passeios laterais.
Tem, da banda do rio, uma cortina de alvenaria com capeamento de betão, e a cortina de vedação do lado do recinto do Arsenal está feita provisoriamente com um muro de tijolo com pilastras divisórias e de reforço.

Avenida Ribeira  das Naus [195-]
À esquerda o local do antigo Arsenal da Marinha que se  vêem na foto acima; à direita o Largo do Corpo Santo; ao fundo o Cais do Sodré
Judah Benoliel, in AML

Para memória de que havia sido aí o local onde se construíram quase todas as caravelas, naus e outros barcos de guerra desde o século XVI até aos meados do XX [2] , e que por todos os mares do mundo tornaram conhecido e afamado o nome de a Câmara Municipal de Lisboa mandou afixar no topo da ala da Sala do Risco, uma nau esculpida em pedra, do brasão de armas da cidade, e por baixo dela a seguinte inscrição:
NESTE LOCAL | CONSTRUIRAM-SE AS NAUS | QUE DESCOBRIRAM NOVAS | TERRAS E NOVOS MARES E | LEVARAM A TODO O MUNDO | O NOME DE PORTUGAL | MANDADA COLOCAR PELA C. M. L. NO ANO DE 1948.

[1] Edital de 22 de Junho de 1948, e Diário Municipal de 25 do mesmo mês. 
[2] As últimas naus portuguesas construidas na Ribeira das Naus, foram, nos  meados do século XIX, a D. João VI e a Cidade de Lisboa (1841) que depois se crismou em Vasco da Cama (Anais das Bibliotecas, Arquivo, etc., n.º 12, 19Sl, pág. 28); o último barco de guerra construido no Arsenal da Marinha foi o aviso de 2.ª classe João de Lisboa, lançado à água em 21 de Maio de 1936. 

Bibliografia
(CASTILHO, Júlio de) A Ribeira de Lisboa, p. 461, 1893)
(VIEIRA DA SILVA, Augusto, Dispersos vol. I, pp. 389-391, 1968, Biblioteca de Estudos Olisiponenses)
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