sexta-feira, 14 de abril de 2017

Teatro República, ex—Dona Amélia e futuro São Luiz

O Teatro S. Luiz tem mais história. Foi edificado em 1893 por iniciativa de Guilherme da Silveira, em terrenos cedidos pela Casa de Bragança. Era então o Teatro de D. Amélia. O risco do Teatro de D. Amélia foi de Luiz Ernesto Reynaud, com decorações de Manini e Rossi.


Fundado por Guilherme da Silveira, Celestino da Silva, António Ramos e Visconde de São Luíz de Braga, inaugurou-se em 22 de Maio de 1894 — com a presença do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia —, o Teatro D.Amélia. Foi apresentada a opereta de Offenbach «A Filha do Tambor-Mor», com uma sala completamente cheia. Posteriormente as maiores figuras da cena mundial, como Sarah Bernhardt Eleanora Duse, pisaram o seu palco e, com maior frequência, os inesquecíveis João e Augusto Rosa, Eduardo Brasão, Ângela Pinto e tantos outros. 

Teatro República, ex—D. Amélia e futuro São Luiz [entre 1903 e 1908]
Rua António Maria Cardoso, antiga do Tesouro Velho (até 1890); 
do lado direito, o (novo) Chafariz do Loreto
Fotógrafo não identificado,in GEH

Em 1911 o teatro alterou o seu nome para «República» e, três anos mais tarde, de 13 para 14 de Setembro de 1914, ardia totalmente. Apenas foi poupada parte do «Jard«im de Inverno», onde António Ramos e o Visconde de São Luís de Braga (então únicos interessados no teatro) haviam organizado uma brilhante tertúlia literária e teatral. Contudo, graças ao entusiasmo e dedicação dos seus proprietários, o grande edifício foi reconstruído e reabriu as suas portas em 16 de Janeiro de 1916 com a peça «Os Postiços», de Eduardo Schwalbach, interpretada por Augusto Rosa, Chaby, Eduardo Brasão, Ângela Pinto e Lucinda Simões.

Jardim de Inverno do Teatro São Luiz [1928]
Rua António Maria Cardoso, antiga do Tesouro Velho (até 1890); 
Fotógrafo não identificadoin Arquivo do Jornal O Século

Companhia teatral à porta do Teatro Dona Amélia,
actual Teatro Municipal de São Luis [ca. 1910]

Rua António Maria Cardoso

Joshua Benoliel, in AML
 Até à morte do Visconde de São Luiz de Braga, a actividade teatral foi predominante e intensa, dando lugar, depois, à opereta, sob a direcção de Armando de Vasconcelos. 
Em 7 de Abril de 1928, nova e profunda alteração sofreu o mais elegante dos teatros de Lisboa, para permitir a introdução nas suas salas do espectáculo mais em voga, da novidade desse tempo: o cinema. Depois de algumas remodelações na decoração e estruturas e no nome (passou nessa data a chamar-se «São Luiz», em homenagem ao Visconde de São Luís de Braga) estreou-se o filme «Metropolis», de Fritz Lang, dos mais caros produzidos na época: cerca de 40 mil contos.


Chegada ao Teatro de São Luiz [s.d.]
Rua António Maria Cardoso
Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.
A partir de 1934 assumiu a direcção do «São Luiz» João Ortigão Ramos, que iniciou uma nova actividade a que associou o seu cinema — a da produção de filmes, que viria a dar origem à Tobis Portuguesa. Todavia, o teatro regressou à acolhedora sala do Chiado, quer através dos festivais de Teatro Francês, quer pela apresentação de peças como «Um Eléctrico Chamado Desejo», de Tennessee Williams, pela Companhia do Teatro Nacional, ou «António, o Marinheiro», de Bernardo Santareno, com Eunice Muñoz, ou ainda com o desconhecido «Teatro Nô», trazido pela Fundação Gulbenkian. 



Simultâneamente, eram organizados concertos com grandes orquestras e solistas nacionais e estrangeiros.
Adquirido pelo Município de Lisboa, em 6 de Maio de 1971, o «São Luiz» passou a ser o primeiro teatro Municipal de Lisboa, satisfazendo os anseios expressos de numerosas camadas da sua população. 

Teatro Municipal de São Luís, sala de espectáculo [ca. 1955]
Rua António Maria Cardoso

Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa

No tempo do Visconde de S. Luiz de Braga o «foyer» dêste Teatro — recorda Norberto de Araújo — constituía uma tertúlia de artistas e escritores, o «cercle» literário de Lisboa; a tradição intelectual perdeu-se, ou sumiu-se. É, porém, ainda hoje [1939] um Salão de elite — tornado «Cinema S. Luiz». Sim; aqui, em referência à arte nobre do teatro, pode dizer-se: «tout passe...».

Foyer do antigo teatro Dona Amélia, depois, teatro Municipal de São Luís [ca. 1910]
Jantar de homenagem a Leal da Câmara
Rua António Maria Cardoso

Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal de Lisboa

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 13[1939])
(Revista municipal Lisboa, pp. 61-62, 1971)

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